Mais provérbios de Salomão

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > Provérbios > Mais provérbios de Salomão [Provérbios 25:1 - Provérbios 29:27]

Também estes são provérbios de Salomão, os quais transcreveram os homens de Ezequias, rei de Judá.

A glória de Deus é encobrir as coisas; mas a glória dos reis é esquadrinhá-las.

Como o céu na sua altura, e como a terra na sua profundidade, assim o coração dos reis é inescrutável.

Tira da prata a escória, e sairá um vaso para o fundidor.

Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça.

Não reclames para ti honra na presença do rei, nem te ponhas no lugar dos grandes;

porque melhor é que te digam: Sobe, para aqui; do que seres humilhado perante o príncipe.

O que os teus olhos viram, não te apresses a revelar, para depois, ao fim, não saberes o que hás de fazer, podendo-te confundir o teu próximo.

Pleiteia a tua causa com o teu próximo mesmo; e não reveles o segredo de outrem;

para que não te desonre aquele que o ouvir, não se apartando de ti a infâmia.

Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.

Como pendentes de ouro e gargantilhas de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido obediente.

Como o frescor de neve no tempo da sega, assim é o mensageiro fiel para com os que o enviam, porque refrigera o espírito dos seus senhores.

como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez.

Pela longanimidade se persuade o príncipe, e a língua branda quebranta os ossos.

Se achaste mel, come somente o que te basta, para que porventura não te fartes dele, e o venhas a vomitar.

Põe raramente o teu pé na casa do teu próximo, para que não se enfade de ti, e te aborreça.

Malho, e espada, e flecha aguda é o homem que levanta falso testemunho contra o seu próximo.

Como dente quebrado, e pé deslocado, é a confiança no homem desleal, no dia da angústia.

O que entoa canções ao coração aflito é como aquele que despe uma peça de roupa num dia de frio, e como vinagre sobre a chaga.

Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe pão para comer, e se tiver sede, dá-lhe água para beber;

porque assim lhe amontoarás brasas sobre a cabeça, e o Senhor te recompensará.

O vento norte traz chuva, e a língua caluniadora, o rosto irado.

Melhor é morar num canto do eirado, do que com a mulher rixosa numa casa ampla.

Como água fresca para o homem sedento, tais são as boas-novas de terra remota.

Como fonte turva, e manancial poluído, assim é o justo que cede lugar diante do ímpio.

comer muito mel não é bom; não multipliques, pois, as palavras de lisonja.

Como a cidade derribada, que não tem muros, assim é o homem que não pode conter o seu espírito.

Como a neve no verão, e como a chuva no tempo da ceifa, assim não convém ao tolo a honra.

Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu voar, assim a maldição sem causa não encontra pouso.

O açoite é para o cavalo, o freio para o jumento, e a vara para as costas dos tolos.

Não respondas ao tolo segundo a sua estultícia, para que também não te faças semelhante a ele.

Responde ao tolo segundo a sua estultícia, para que ele não seja sábio aos seus próprios olhos.

Os pés decepa, e o dano bebe, quem manda mensagens pela mão dum tolo.

As pernas do coxo pendem frouxas; assim é o provérbio na boca dos tolos.

Como o que ata a pedra na funda, assim é aquele que dá honra ao tolo.

Como o espinho que entra na mão do ébrio, assim é o provérbio na mão dos tolos.

Como o flecheiro que fere a todos, assim é aquele que assalaria ao transeunte tolo, ou ao ébrio.

Como o cão que torna ao seu vômito, assim é o tolo que reitera a sua estultícia.

Vês um homem que é sábio a seus próprios olhos? Maior esperança há para o tolo do que para ele.

Diz o preguiçoso: Um leão está no caminho; um leão está nas ruas.

Como a porta se revolve nos seus gonzos, assim o faz o preguiçoso na sua cama.

O preguiçoso esconde a sua mão no prato, e nem ao menos quer levá-la de novo ã boca.

Mais sábio é o preguiçoso a seus olhos do que sete homens que sabem responder bem.

O que, passando, se mete em questão alheia é como aquele que toma um cão pelas orelhas.

Como o louco que atira tições, flechas, e morte,

assim é o homem que engana o seu próximo, e diz: Fiz isso por brincadeira.

Faltando lenha, apaga-se o fogo; e não havendo difamador, cessa a contenda.

Como o carvão para as brasas, e a lenha para o fogo, assim é o homem contencioso para acender rixas.

As palavras do difamador são como bocados deliciosos, que descem ao íntimo do ventre.

Como o vaso de barro coberto de escória de prata, assim são os lábios ardentes e o coração maligno.

Aquele que odeia dissimula com os seus lábios; mas no seu interior entesoura o engano.

Quando te suplicar com voz suave, não o creias; porque sete abominações há no teu coração.

Ainda que o seu ódio se encubra com dissimulação, na congregação será revelada a sua malícia.

O que faz uma cova cairá nela; e a pedra voltará sobre aquele que a revolve.

A língua falsa odeia aqueles a quem ela tenha ferido; e a boca lisonjeira opera a ruína.

Não te glories do dia de amanhã; porque não sabes o que produzirá o dia.

Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estranho, e não os teus lábios.

Pesada é a pedra, e a areia também; mas a ira do insensato é mais pesada do que elas ambas.

Cruel é o furor, e impetuosa é a ira; mas quem pode resistir ã inveja?

Melhor é a repreensão aberta do que o amor encoberto.

Fiéis são as feridas dum amigo; mas os beijos dum inimigo são enganosos.

O que está farto despreza o favo de mel; mas para o faminto todo amargo é doce.

Qual a ave que vagueia longe do seu ninho, tal é o homem que anda vagueando longe do seu lugar.

O óleo e o perfume alegram o coração; assim é o doce conselho do homem para o seu amigo.

Não abandones o teu amigo, nem o amigo de teu pai; nem entres na casa de teu irmão no dia de tua adversidade. Mais vale um vizinho que está perto do que um irmão que está longe.

Sê sábio, filho meu, e alegra o meu coração, para que eu tenha o que responder O prudente vê o mal e se esconde; mas os insensatos passam adiante e sofrem a pena.

Tira a roupa O que bendiz ao seu amigo em alta voz, levantando-se de madrugada, isso lhe será contado como maldição.

A goteira contínua num dia chuvoso e a mulher rixosa são semelhantes;

retê-la é reter o vento, ou segurar o óleo com a destra.

Afia-se o ferro com o ferro; assim o homem afia o rosto do seu amigo.

O que cuida da figueira comerá do fruto dela; e o que vela pelo seu senhor será honrado.

Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim o coração do homem ao homem.

O Seol e o Abadom nunca se fartam, e os olhos do homem nunca se satisfazem.

O crisol é para a prata, e o forno para o ouro, e o homem é provado pelos louvores que recebe.

Ainda que pisasses o insensato no gral entre grãos pilados, contudo não se apartaria dele a sua estultícia.

Procura conhecer o estado das tuas ovelhas; cuida bem dos teus rebanhos;

porque as riquezas não duram para sempre; e duraria a coroa de geração em geração?

Quando o feno é removido, e aparece a erva verde, e recolhem-se as ervas dos montes,

os cordeiros te proverão de vestes, e os bodes, do preço do campo.

E haverá bastante leite de cabras para o teu sustento, para o sustento da tua casa e das tuas criadas.

Fogem os ímpios, sem que ninguém os persiga; mas os justos são ousados como o leão.

Por causa da transgressão duma terra são muitos os seus príncipes; mas por virtude de homens prudentes e entendidos, ela subsistirá por longo tempo.

O homem pobre que oprime os pobres, é como chuva impetuosa, que não deixa trigo nenhum.

Os que abandonam a lei louvam os ímpios; mas os que guardam a lei pelejam contra eles.

Os homens maus não entendem a justiça; mas os que buscam ao Senhor a entendem plenamente.

Melhor é o pobre que anda na sua integridade, do que o rico perverso nos seus caminhos.

O que guarda a lei é filho sábio; mas o companheiro dos comilões envergonha a seu pai.

O que aumenta a sua riqueza com juros e usura, ajunta-a para o que se compadece do pobre.

O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração é abominável.

O que faz com que os retos se desviem para um mau caminho, ele mesmo cairá na cova que abriu; mas os inocentes herdarão o bem.

O homem rico é sábio aos seus próprios olhos; mas o pobre que tem entendimento o esquadrinha.

Quando os justos triunfam há grande, glória; mas quando os ímpios sobem, escondem-se os homens.

O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.

Feliz é o homem que teme ao Senhor continuamente; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal.

Como leão bramidor, e urso faminto, assim é o ímpio que domina sobre um povo pobre.

O príncipe falto de entendimento é também opressor cruel; mas o que aborrece a avareza prolongará os seus dias.

O homem culpado do sangue de qualquer pessoa será fugitivo até a morte; ninguém o ajude.

O que anda retamente salvar-se-á; mas o perverso em seus caminhos cairá de repente.

O que lavra a sua terra se fartará de pão; mas o que segue os ociosos se encherá de pobreza.

O homem fiel gozará de abundantes bênçãos; mas o que se apressa a enriquecer não ficará impune.

Fazer acepção de pessoas não é bom; mas até por um bocado de pão prevaricará o homem.

Aquele que é cobiçoso corre atrás das riquezas; e não sabe que há de vir sobre ele a penúria.

O que repreende a um homem achará depois mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.

O que rouba a seu pai, ou a sua mãe, e diz: Isso não é transgressão; esse é companheiro do destruidor.

O cobiçoso levanta contendas; mas o que confia no senhor prosperará.

O que confia no seu próprio coração é insensato; mas o que anda sabiamente será livre.

O que dá ao pobre não terá falta; mas o que esconde os seus olhos terá muitas maldições.

Quando os ímpios sobem, escondem-se os homens; mas quando eles perecem, multiplicam-se os justos.

Aquele que, sendo muitas vezes repreendido, endurece a cerviz, será quebrantado de repente sem que haja cura.

Quando os justos governam, alegra-se o povo; mas quando o ímpio domina, o povo geme.

O que ama a sabedoria alegra a seu pai; mas o companheiro de prostitutas desperdiça a sua riqueza.

O rei pela justiça estabelece a terra; mas o que exige presentes a transtorna.

O homem que lisonjeia a seu próximo arma-lhe uma rede aos passos.

Na transgressão do homem mau há laço; mas o justo canta e se regozija.

O justo toma conhecimento da causa dos pobres; mas o ímpio não tem entendimento para a conhecer.

Os escarnecedores abrasam a cidade; mas os sábios desviam a ira.

O sábio que pleiteia com o insensato, quer este se agaste quer se ria, não terá descanso.

Os homens sanguinários odeiam o íntegro; mas os retos procuram o seu bem.

O tolo derrama toda a sua ira; mas o sábio a reprime e aplaca.

O governador que dá atenção O pobre e o opressor se encontram; o Senhor alumia os olhos de ambos.

Se o rei julgar os pobres com eqüidade, o seu trono será estabelecido para sempre.

A vara e a repreensão dão sabedoria; mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.

Quando os ímpios se multiplicam, multiplicam-se as transgressões; mas os justos verão a queda deles.

Corrige a teu filho, e ele te dará descanso; sim, deleitará o teu coração.

Onde não há profecia, o povo se corrompe; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado.

O servo não se emendará com palavras; porque, ainda que entenda, não atenderá.

Vês um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança há para o tolo do que para ele.

Aquele que cria delicadamente o seu servo desde a meninice, no fim tê-lo-á por herdeiro.

O homem iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.

A soberba do homem o abaterá; mas o humilde de espírito obterá honra.

O que é sócio do ladrão odeia a sua própria alma; sendo ajuramentado, nada denuncia.

O receio do homem lhe arma laços; mas o que confia no Senhor está seguro.

Muitos buscam o favor do príncipe; mas é do Senhor que o homem recebe a justiça.

O ímpio é abominação para os justos; e o que é reto no seu caminho é abominação para o ímpio.

Provérbios de Agur

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > Provérbios > Provérbios de Agur [Provérbios 30:1 - Provérbios 30:33]

Palavras de Agur, filho de Jaqué de Massá. Diz o homem a Itiel, e a Ucal:

Na verdade que eu sou mais estúpido do que ninguém; não tenho o entendimento do homem;

não aprendi a sabedoria, nem tenho o conhecimento do Santo.

Quem subiu ao céu e desceu? quem encerrou os ventos nos seus punhos? mas amarrou as águas no seu manto? quem estabeleceu todas as extremidades da terra? qual é o seu nome, e qual é o nome de seu filho? Certamente o sabes!

Toda palavra de Deus é pura; ele é um escudo para os que nele confiam.

Nada acrescentes Duas coisas te peço; não mas negues, antes que morra:

Alonga de mim a falsidade e a mentira; não me dês nem a pobreza nem a riqueza: dá-me só o pão que me é necessário;

para que eu de farto não te negue, e diga: Quem é o Senhor? ou, empobrecendo, não venha a furtar, e profane o nome de Deus.

Não calunies o servo diante de seu senhor, para que ele não te amaldiçoe e fiques tu culpado.

Há gente que amaldiçoa a seu pai, e que não bendiz a sua mãe.

Há gente que é pura aos seus olhos, e contudo nunca foi lavada da sua imundícia.

Há gente cujos olhos são altivos, e cujas pálpebras são levantadas para cima.

Há gente cujos dentes são como espadas; e cujos queixais sao como facas, para devorarem da terra os aflitos, e os necessitados dentre os homens.

A sanguessuga tem duas filhas, a saber: Dá, Dá. Há três coisas que nunca se fartam; sim, quatro que nunca dizem: Basta;

o Seol, a madre estéril, a terra que não se farta d’água, e o fogo que nunca diz: Basta.

Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência ã mãe, serão arrancados pelos corvos do vale e devorados pelos filhos da águia.

Há três coisas que são maravilhosas demais para mim, sim, há quatro que não conheço:

o caminho da águia no ar, o caminho da cobra na penha, o caminho do navio no meio do mar, e o caminho do homem com uma virgem.

Tal é o caminho da mulher adúltera: ela come, e limpa a sua boca, e diz: não pratiquei iniqüidade.

Por três coisas estremece a terra, sim, há quatro que não pode suportar:

o escravo quando reina; o tolo quando se farta de comer;

a mulher desdenhada quando se casa; e a serva quando fica herdeira da sua senhora.

Quatro coisas há na terra que são pequenas, entretanto são extremamente sábias;

as formigas são um povo sem força, todavia no verão preparam a sua comida;

os querogrilos são um povo débil, contudo fazem a sua casa nas rochas;

os gafanhotos não têm rei, contudo marcham todos enfileirados;

a lagartixa apanha-se com as mãos, contudo anda nos palácios dos reis.

Há três que andam com elegância, sim, quatro que se movem airosamente:

o leão, que é o mais forte entre os animais, e que não se desvia diante de ninguém;

o galo emproado, o bode, e o rei ã frente do seu povo.

Se procedeste loucamente em te elevares, ou se maquinaste o mal, põe a mão sobre a boca.

Como o espremer do leite produz queijo verde, e o espremer do nariz produz sangue, assim o espremer da ira produz contenda.

Provérbios do rei Lemuel

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > Provérbios > Provérbios do rei Lemuel [Provérbios 31:1 - Provérbios 31:9]

As palavras do rei Lemuel, rei de Massá, que lhe ensinou sua mãe.

Que te direi, filho meu? e que te direi, ó filho do meu ventre? e que te direi, ó filho dos meus votos?

Não dês Não é dos reis, ó Lemuel, não é dos reis beber vinho, nem dos príncipes desejar bebida forte;

para que não bebam, e se esqueçam da lei, e pervertam o direito de quem anda aflito.

Dai bebida forte ao que está para perecer, e o vinho ao que está em amargura de espírito.

Bebam e se esqueçam da sua pobreza, e da sua miséria não se lembrem mais.

Abre a tua boca a favor do mudo, a favor do direito de todos os desamparados.

Abre a tua boca; julga retamente, e faze justiça aos pobres e aos necessitados.

A esposa de carácter nobre

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > Provérbios > A esposa de carácter nobre [Provérbios 31:10 - Provérbios 31:31]

Álefe. Mulher virtuosa, quem a pode achar? Pois o seu valor muito excede ao de jóias preciosas.

Bete. O coração do seu marido confia nela, e não lhe haverá falta de lucro.

Guímel. Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias da sua vida.

Dálete. Ela busca lã e linho, e trabalha de boa vontade com as mãos.

Hê. É como os navios do negociante; de longe traz o seu pão.

Vave. E quando ainda está escuro, ela se levanta, e dá mantimento ã sua casa, e a tarefa Zaine. Considera um campo, e compra-o; planta uma vinha com o fruto de suas maos.

Hete. Cinge os seus lombos de força, e fortalece os seus braços.

Tete. Prova e vê que é boa a sua mercadoria; e a sua lâmpada não se apaga de noite.

Iode. Estende as mãos ao fuso, e as suas mãos pegam na roca.

Cafe. Abre a mão para o pobre; sim, ao necessitado estende as suas mãos.

Lâmede. Não tem medo da neve pela sua família; pois todos os da sua casa estão vestidos de escarlate.

Meme. Faz para si cobertas; de linho fino e de púrpura é o seu vestido.

Nune. Conhece-se o seu marido nas portas, quando se assenta entre os anciãos da terra.

Sâmerue. Faz vestidos de linho, e vende-os, e entrega cintas aos mercadores.

Aine. A força e a dignidade são os seus vestidos; e ri-se do tempo vindouro.

Pê. Abre a sua boca com sabedoria, e o ensino da benevolência está na sua língua.

Tsadê. Olha pelo governo de sua casa, e não come o pão da preguiça.

Côfe. Levantam-se seus filhos, e lhe chamam bem-aventurada, como também seu marido, que a louva, dizendo:

Reche. Muitas mulheres têm procedido virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.

Chine. Enganosa é a graça, e vã é a formosura; mas a mulher que teme ao Senhor, essa será louvada.

Tau. Dai-lhe do fruto das suas mãos, e louvem-na nas portas as suas obras.

Tudo é ilusão

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > Eclesiastes > Tudo é ilusão [Eclesiastes 1:1 - Eclesiastes 2:26]

Palavras do pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.

Vaidade de vaidades, diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.

Que proveito tem o homem, de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?

Uma geração vai-se, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre.

O sol nasce, e o sol se põe, e corre de volta ao seu lugar donde nasce.

O vento vai para o sul, e faz o seu giro vai para o norte; volve-se e revolve-se na sua carreira, e retoma os seus circuitos.

Todos os ribeiros vão para o mar, e contudo o mar não se enche; ao lugar para onde os rios correm, para ali continuam a correr.

Todas as coisas estão cheias de cansaço; ninguém o pode exprimir: os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos se enchem de ouvir.

O que tem sido, isso é o que há de ser; e o que se tem feito, isso se tornará a fazer; nada há que seja novo debaixo do sol.

Há alguma coisa de que se possa dizer: Voê, isto é novo? ela já existiu nos séculos que foram antes de nós.

Já não há lembrança das gerações passadas; nem das gerações futuras haverá lembrança entre os que virão depois delas.

Eu, o pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.

E apliquei o meu coração a inquirir e a investigar com sabedoria a respeito de tudo quanto se faz debaixo do céu; essa enfadonha ocupação deu Deus aos filhos dos homens para nela se exercitarem.

Atentei para todas as obras que se e fazem debaixo do sol; e eis que tudo era vaidade e desejo vão.

O que é torto não se pode endireitar; o que falta não se pode enumerar.

Falei comigo mesmo, dizendo: Eis que eu me engrandeci, e sobrepujei em sabedoria a todos os que houve antes de mim em Jerusalém; na verdade, tenho tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento.

E apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras; e vim a saber que também isso era desejo vao.

Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta o conhecimento aumenta a tristeza.

Disse eu a mim mesmo: Ora vem, eu te provarei com a alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.

Do riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve estar.

Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne, sem deixar de me guiar pela sabedoria, e como me apoderar da estultícia, até ver o que era bom que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu, durante o número dos dias de sua vida.

Fiz para mim obras magníficas: edifiquei casas, plantei vinhas;

fiz hortas e jardins, e plantei neles árvores frutíferas de todas as espécies.

Fiz tanques de águas, para deles regar o bosque em que reverdeciam as árvores.

Comprei servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e de rebanhos, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.

Ajuntei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, concubinas em grande número.

Assim me engrandeci, e me tornei mais rico do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.

E tudo quanto desejaram os meus olhos não lho neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; pois o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e isso foi o meu proveito de todo o meu trabalho.

Então olhei eu para todas as obras que as minhas mãos haviam feito, como também para o trabalho que eu aplicara em fazê-las; e eis que tudo era vaidade e desejo vão, e proveito nenhum havia debaixo do sol.

Virei-me para contemplar a sabedoria, e a loucura, e a estultícia; pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que já se fez!

Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.

Os olhos do sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; contudo percebi que a mesma coisa lhes sucede a ambos.

Pelo que eu disse no meu coração: Como acontece ao estulto, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria; Então respondi a mim mesmo que também isso era vaidade.

Pois do sábio, bem como do estulto, a memória não durará para sempre; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o estulto!

Pelo que aborreci a vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e desejo vão.

Também eu aborreci todo o meu trabalho em que me afadigara debaixo do sol, visto que tenho de deixá-lo ao homem que virá depois de mim.

E quem sabe se será sábio ou estulto? Contudo, ele se assenhoreará de todo o meu trabalho em que me afadiguei, e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isso é vaidade.

Pelo que eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante a todo o trabalho em que me afadigara debaixo do sol.

Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, e ciência, e destreza; contudo, deixará o fruto do seu labor para ser porção de quem não trabalhou nele; também isso é vaidade e um grande mal.

Pois, que alcança o homem com todo o seu trabalho e com a fadiga em que ele anda trabalhando debaixo do sol?

Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é vexação; nem de noite o seu coração descansa. Também isso é vaidade.

Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer que a sua alma goze do bem do seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus.

Pois quem pode comer, ou quem pode gozar. melhor do que eu?

Porque ao homem que lhe agrada, Deus dá sabedoria, e conhecimento, e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte e amontoe, a fim de dá-lo