A segunda prova de Job

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > > A segunda prova de Job [Jó 2:1 - Jó 2:10]

Chegou outra vez o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor; e veio também Satanás entre eles apresentar-se perante o Senhor.

Então o Senhor perguntou a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor, dizendo: De rodear a terra, e de passear por ela.

Disse o Senhor a Satanás: Notaste porventura o meu servo , que ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, que teme a Deus e se desvia do mal? Ele ainda retém a sua integridade, embora me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.

Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele! Tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.

Estende agora a mão, e toca-lhe nos ossos e na carne, e ele blasfemará de ti na tua face!

Disse, pois, o Senhor a Satanás: Eis que ele está no teu poder; somente poupa-lhe a vida.

Saiu, pois, Satanás da presença do Senhor, e feriu Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até o alto da cabeça.

E Jó, tomando um caco para com ele se raspar, sentou-se no meio da cinza.

Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus, e morre.

Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios.

Os três amigos de Job

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > > Os três amigos de Job [Jó 2:11 - Jó 2:13]

Ouvindo, pois, três amigos de todo esse mal que lhe havia sucedido, vieram, cada um do seu lugar: Elifaz o temanita, Bildade o suíta e Zofar o naamatita; pois tinham combinado para virem condoer- se dele e consolá-lo.

E, levantando de longe os olhos e não o reconhecendo, choraram em alta voz; e, rasgando cada um o seu manto, lançaram pó para o ar sobre as suas cabeças.

E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande.

Job lamenta-se

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > > Job lamenta-se [Jó 3:1 - Jó 3:26]

Depois disso abriu a sua boca, e amaldiçoou o seu dia.

E Jó falou, dizendo:

Pereça o dia em que nasci, e a noite que se disse: Foi concebido um homem!

Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz.

Reclamem-no para si as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; espante-o tudo o que escurece o dia.

Quanto Ah! que estéril seja aquela noite, e nela não entre voz de regozijo.

Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam os dias, que são peritos em suscitar o leviatã.

As estrelas da alva se lhe escureçam; espere ela em vão a luz, e não veja as pálpebras da manhã;

porquanto não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu dos meus olhos a aflição.

Por que não morri ao nascer? por que não expirei ao vir ã luz?

Por que me receberam os joelhos? e por que os seios, para que eu mamasse?

Pois agora eu estaria deitado e quieto; teria dormido e estaria em repouso,

com os reis e conselheiros da terra, que reedificavam ruínas para si,

ou com os príncipes que tinham ouro, que enchiam as suas casas de prata;

ou, como aborto oculto, eu não teria existido, como as crianças que nunca viram a luz.

Ali os ímpios cessam de perturbar; e ali repousam os cansados.

Ali os presos descansam juntos, e não ouvem a voz do exator.

O pequeno e o grande ali estão e o servo está livre de seu senhor.

Por que se concede luz ao aflito, e vida aos amargurados de alma;

que anelam pela morte sem que ela venha, e cavam em procura dela mais do que de tesouros escondidos;

que muito se regozijam e exultam, quando acham a sepultura?

Sim, por que se concede luz ao homem cujo caminho está escondido, e a quem Deus cercou de todos os lados?

Pois em lugar de meu pão vem o meu suspiro, e os meus gemidos se derramam como água.

Porque aquilo que temo me sobrevém, e o que receio me acontece.

Não tenho repouso, nem sossego, nem descanso; mas vem a perturbação.

Elifaz – Jó 4-1

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > > Elifaz – Jó 4-1 [Jó 4:1 - Jó 5:27]

Então respondeu Elifaz, o temanita, e disse:

Se alguém intentar falar-te, enfadarte-ás? Mas quem poderá conter as palavras?

Eis que tens ensinado a muitos, e tens fortalecido as mãos fracas.

As tuas palavras têm sustentado aos que cambaleavam, e os joelhos desfalecentes tens fortalecido.

Mas agora que se trata de ti, te enfadas; e, tocando-te a ti, te desanimas.

Porventura não está a tua confiança no teu temor de Deus, e a tua esperança na integridade dos teus caminhos?

Lembra-te agora disto: qual o inocente que jamais pereceu? E onde foram os retos destruídos?

Conforme tenho visto, os que lavram iniquidade e semeiam o mal segam o mesmo.

Pelo sopro de Deus perecem, e pela rajada da sua ira são consumidos.

Cessa o rugido do leão, e a voz do leão feroz; os dentes dos leõezinhos se quebram.

Perece o leão velho por falta de presa, e os filhotes da leoa andam dispersos.

Ora, uma palavra se me disse em segredo, e os meus ouvidos perceberam um sussurro dela.

Entre pensamentos nascidos de visões noturnas, quando cai sobre os homens o sono profundo,

sobrevieram-me o espanto e o tremor, que fizeram estremecer todos os meus ossos.

Então um espírito passou por diante de mim; arrepiaram-se os cabelos do meu corpo.

Parou ele, mas não pude discernir a sua aparencia; um vulto estava diante dos meus olhos; houve silêncio, então ouvi uma voz que dizia:

Pode o homem mortal ser justo diante de Deus? Pode o varão ser puro diante do seu Criador?

Eis que Deus não confia nos seus servos, e até a seus anjos atribui loucura;

quanto mais aos que habitam em casas de lodo, cujo fundamento está no pó, e que são esmagados pela traça!

Entre a manhã e a tarde são destruidos; perecem para sempre sem que disso se faça caso.

Se dentro deles é arrancada a corda da sua tenda, porventura não morrem, e isso sem atingir a sabedoria?

Chama agora; há alguém que te responda; E a qual dentre os entes santos te dirigirás?

Pois a dor destrói o louco, e a inveja mata o tolo.

Bem vi eu o louco lançar raízes; mas logo amaldiçoei a sua habitação:

Seus filhos estão longe da segurança, e são pisados nas portas, e não há quem os livre.

A sua messe é devorada pelo faminto, que até dentre os espinhos a tira; e o laço abre as fauces para a fazenda deles.

Porque a aflição não procede do pó, nem a tribulação brota da terra;

mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas voam para cima.

Mas quanto a mim eu buscaria a Deus, e a Deus entregaria a minha causa;

o qual faz coisas grandes e inescrutáveis, maravilhas sem número.

Ele derrama a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.

Ele põe num lugar alto os abatidos; e os que choram são exaltados ã segurança.

Ele frustra as maquinações dos astutos, de modo que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.

Ele apanha os sábios na sua própria astúcia, e o conselho dos perversos se precipita.

Eles de dia encontram as trevas, e ao meio-dia andam Mas Deus livra o necessitado da espada da boca deles, e da mão do poderoso.

Assim há esperança para o pobre; e a iniqüidade tapa a boca.

Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus corrige; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.

Pois ele faz a ferida, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.

Em seis angústias te livrará, e em sete o mal não te tocará.

Na fome te livrará da morte, e na guerra do poder da espada.

Do açoite da língua estarás abrigado, e não temerás a assolação, quando chegar.

Da assolação e da fome te rirás, e dos animais da terra não terás medo.

Pois até com as pedras do campo terás a tua aliança, e as feras do campo estarão em paz contigo.

Saberás que a tua tenda está em paz; visitarás o teu rebanho, e nada te faltará.

Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra.

Em boa velhice irás ã sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

Eis que isso já o havemos inquirido, e assim o é; ouve-o, e conhece-o para teu bem.

Job – Jó 6-1

A Bíblia Online > Antigo Testamento > Livros Poéticos e Sapienciais > > Job – Jó 6-1 [Jó 6:1 - Jó 7:21]

Então , respondendo, disse:

Oxalá de fato se pesasse a minhá magoa, e juntamente na balança se pusesse a minha calamidade!

Pois, na verdade, seria mais pesada do que a areia dos mares; por isso é que as minhas palavras têm sido temerárias.

Porque as flechas do Todo-Poderoso se cravaram em mim, e o meu espírito suga o veneno delas; os terrores de Deus se arregimentam contra mim.

Zurrará o asno montês quando tiver erva? Ou mugirá o boi junto ao seu pasto?:

Pode se comer sem sal o que é insípido? Ou há gosto na clara do ovo?

Nessas coisas a minha alma recusa tocar, pois são para mim qual comida repugnante.

Quem dera que se cumprisse o meu rogo, e que Deus me desse o que anelo!

que fosse do agrado de Deus esmagar-me; que soltasse a sua mão, e me exterminasse!

Isto ainda seria a minha consolação, e exultaria na dor que não me poupa; porque não tenho negado as palavras do Santo.

Qual é a minha força, para que eu espere? Ou qual é o meu fim, para que me porte com paciência?

É a minha força a força da pedra? Ou é de bronze a minha carne?

Na verdade não há em mim socorro nenhum. Não me desamparou todo o auxílio eficaz?

Ao que desfalece devia o amigo mostrar compaixão; mesmo ao que abandona o temor do Todo-Poderoso.

Meus irmãos houveram-se aleivosamente, como um ribeiro, como a torrente dos ribeiros que passam,

os quais se turvam com o gelo, e neles se esconde a neve;

no tempo do calor vão minguando; e quando o calor vem, desaparecem do seu lugar.

As caravanas se desviam do seu curso; sobem ao deserto, e perecem.

As caravanas de Tema olham; os viandantes de Sabá por eles esperam.

Ficam envergonhados por terem confiado; e, chegando ali, se confundem.

Agora, pois, tais vos tornastes para mim; vedes a minha calamidade e temeis.

Acaso disse eu: Dai-me um presente? Ou: Fazei-me uma oferta de vossos bens?

Ou: Livrai-me das mãos do adversário? Ou: Resgatai-me das mãos dos opressores ?

Ensinai-me, e eu me calarei; e fazei-me entender em que errei.

Quão poderosas são as palavras da boa razão! Mas que é o que a vossa argüição reprova?

Acaso pretendeis reprovar palavras, embora sejam as razões do desesperado como vento?

Até quereis lançar sortes sobre o órfão, e fazer mercadoria do vosso amigo.

Agora, pois, por favor, olhai para, mim; porque de certo ã vossa face não mentirei.

Mudai de parecer, peço-vos, não haja injustiça; sim, mudai de parecer, que a minha causa é justa.

Há iniqüidade na minha língua? Ou não poderia o meu paladar discernir coisas perversas?

Porventura não tem o homem duro serviço sobre a terra? E não são os seus dias como os do jornaleiro?

Como o escravo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,

assim se me deram meses de escassez, e noites de aflição se me ordenaram.

Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva.

A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se.

Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e chegam ao fim sem esperança.

Lembra-te de que a minha vida é um sopro; os meus olhos não tornarão a ver o bem.

Os olhos dos que agora me vêem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, mas não serei mais.

Tal como a nuvem se desfaz e some, aquele que desce ã sepultura nunca tornará a subir.

Nunca mais tornará ã sua casa, nem o seu lugar o conhecerá mais.

Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.

Sou eu o mar, ou um monstro marinho, para que me ponhas uma guarda?

Quando digo: Confortar-me-á a minha cama, meu leito aliviará a minha queixa,

então me espantas com sonhos, e com visões me atemorizas;

de modo que eu escolheria antes a estrangulação, e a morte do que estes meus ossos.

A minha vida abomino; não quero viver para sempre; retira-te de mim, pois os meus dias são vaidade.

Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas sobre ele o teu pensamento,

e cada manhã o visites, e cada momento o proves?

Até quando não apartarás de mim a tua vista, nem me largarás, até que eu possa engolir a minha saliva?

Se peco, que te faço a ti, ó vigia dos homens? Por que me fizeste alvo dos teus dardos? Por que a mim mesmo me tornei pesado?

Por que me não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniqüidade? Pois agora me deitarei no pó; tu me buscarás, porém eu não serei mais.